#2176

Muros há muitos. Sempre houve. E continua a haver. É uma aspiração com saída nos dias que correm. […] Símbolos da impotência, do fracasso do diálogo, da dificuldade em pensar-se com o ‘outro’. Vive-se na era de globalização mas há cada vez mais barreiras. O pretexto é sempre a protecção perante os que não conhecemos bem, os ‘diferentes’, os que criam ‘mau ambiente’. […] Lei do simplismo. Proibir em vez de analisar. Demonizar em vez de agregar. Nada de novo. Basta perceber a estratégia dos populismos hoje em dia que é construir a imagem clara de um inimigo. Podem ser imigrantes, estrangeiros, os ‘drogados’, um clube de futebol ou um país. A partir de determinado momento, tudo o que acontece se deve a essa entidade hostil. Dessa forma ocultam-se as debilidades próprias e simplifica-se grosseiramente uma realidade complexa. Passa a existir um só foco que encobre tudo o que acontece à volta. […] É a própria democracia que se está a pôr em causa. No [caso do] Adamastor, quem defende a vedação e a estetização do lugar fá-lo na expectativa de erradicar dali os que são considerados indesejáveis, numa visão parcelar da realidade, que não se detém sobre o conjunto de questões que ali se projectam e como se relacionam entre si.

Vítor Belanciano, jornal Público

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